Timão mostra solidez defensiva contra o América-MG, mas pobreza ofensiva chama atenção
O abraço de Sylvinho nos auxiliares Doriva e Fernando Lázaro após o apito final do árbitro Marcelo de Lima Henrique foi simbólico: a vitória por 1 a 0 do Corinthians sobre o América-MG, pelo Brasileirão, deu alívio enorme para a comissão após um início torto, com duas derrotas para o Atlético-GO.
O alívio, porém, não é sinal de euforia. O Corinthians fez um jogo eficiente diante de um América-MG que construiu muito pouco, teve uma boa atuação no primeiro tempo, mas diminuiu muito o ritmo na etapa final. Ribamar chegou a empatar o jogo, em lance anulado corretamente por impedimento.
Para obter a vitória, Sylvinho promoveu cinco mudanças na escalação do time em relação ao último jogo. Saíram Raul, Lucas Piton, Camacho, Ramiro e Mateus Vital e entraram João Victor, Fábio Santos, Gabriel, Roni e Cantillo.

Jogadores do Corinthians comemoram gol contra o América-MG — Foto: Fernando Moreno/AGIF
Com a bola, um time desenhado em um esquema 4-3-3, com Luan de falso 9. O colombiano Victor Cantillo teve papel importante: posicionado à frente da zaga, participou da iniciação das jogadas e teve dois volantes à sua frente (Gabriel e Roni), o que deixou a sua função mais protegida em campo.
No período em que ficou em campo, deu 53 passes, acertando 51. Aproveitamento de 96%, o melhor do time. Gabriel, com certa liberdade, conseguiu apoiar e marcar. Ele mantém bons números quando é titular em 2021, com o time passando nove jogos sem sofrer gols nos 14 jogos em que ele começou.
A aposta em Fábio Santos, veterano de 35 anos, também se justificou. Acostumadíssimo com a linha de quatro, o jogador foi aplicado na marcação e permitiu que o time explorasse o lado direito do ataque. No primeiro tempo, foram três chances criadas por ali. Numa delas, Mosquito sofreu pênalti.
Após erros de Luan contra o Palmeiras e Vital contra o Atlético-GO, Fábio Santos pegou a bola e fez o que dele se espera: deslocou o goleiro e fez o gol. Em 18 cobranças desde 2011, ele só errou uma.
O Coelho teve mais a bola durante todo o jogo (cerca de 60%), mas pouco conseguia penetrar na linha baixa corintiana. Sylvinho, ciente da necessidade da vitória, deu passo atrás e buscou o resultado.
O segundo tempo teve um Corinthians menos ofensivo, o que atraiu o dono da casa para jogar ainda mais em seu campo. O América conseguiu suas nove finalizações na etapa final. O Timão, que chutou quatro vezes na primeira etapa, teve só mais duas nos 45 minutos finais.
Sylvinho sacou Roni e deu vaga a Ramiro. Depois, apostou em Léo Natel na vaga de um apagado Luan, deixando o atacante como uma referência móvel na frente para brigar pela bola brigada pelo alto. Entraram ainda Camacho e Piton nas vagas de Cantillo e Araos, mas o panorama do jogo não mudou.
O Corinthians venceu, mas deixou o campo ciente de que ainda está longe de um nível que o coloque na briga por qualquer coisa dentro da competição. O time agrediu pouco, exagerou nos cruzamentos e variou pouco o jogo, ficando previsível.
Para sonhar com algo grande, Sylvinho terá de encontrar soluções ofensivas no grupo, na base ou em um mercado que oferece qualidade apenas a quem está disposto a pagar por ela.
A comemorar, porém, os primeiros três pontos no Brasileirão. Para um time desta grandeza, é importante pontuar e fazer resultados que aumentem a confiança, como neste jogo fora de casa.
Na quarta, o desafio é de novo o Atlético-GO pela Copa do Brasil. O novo Corinthians quer ser seguro. Para se classificar após uma derrota por 2 a 0, precisará ser mais do que isso jogando em Goiânia.

Fagner, Gabriel e Cássio no Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Por Marcelo Braga — São Paulo, GE






